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Herança maldita: Bolsonaro deixa o país em ‘estado lamentável’, analisa historiadora francesa

Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para assumir o poder em 1° de janeiro, em meio a um forte esquema de segurança e após um período de transição mais difícil que o esperado. Mas para a historiadora francesa Armelle Enders, o principal desafio do novo presidente ainda está pela frente, pois o atual chefe de Estado deixa para o novo governo um país “em estado lamentável”.

Brasil vive uma situação que vai bem além da pobreza, segundo historiadora francesa Armelle Enders: "É miséria, indigência”
Brasil vive uma situação que vai bem além da pobreza, segundo historiadora francesa Armelle Enders: "É miséria, indigência” AFP/Sergio Lima
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Ao anunciar na semana passada os novos integrantes de seu futuro gabinete, Lula afirmou que ao assumir a presidência do Brasil após quatro anos de governo Bolsonaro, receberá um país em um contexto bastante difícil. “Recebemos este governo numa situação de penúria, em que as coisas mais simples não foram feitas. De forma irresponsável, o presidente preferiu contar mentiras no 'cercadinho' do que governar esse país", disse Lula.

A historiadora e pesquisadora do Instituto francês de geopolítica Armelle Enders sublinha que o tom alarmista faz parte do discurso político do líder petista. “É claro que há uma retórica que já havia sido utilizada por Lula quando chegou ao poder pela primeira vez. Na época, ele falava de uma ‘herança maldita’”, se recorda a historiadora em entrevista à RFI.

No entanto, a professora da Universidade Paris 8 considera que o que era um certo "exagero" em 2003 “agora é a realidade”, afirma.

“Houve uma destruição dos serviços públicos e o Brasil foi desmantelado com obstinação durante o governo Bolsonaro. Aliás, foi isso que fez com que ele perdesse muito apoio, inclusive entre os mais conservadores, pois ele deixa o Brasil em um estado lamentável”, aponta.  

A pesquisadora chama a atenção para o aumento da precariedade da população brasileira nos últimos anos. “Estamos falando de algo que vai bem além da pobreza. É miséria, indigência”, alerta a historiadora. “Os programas contra a fome devem ser reimplementados”, sugere.

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Nesse sentido, o governo do presidente eleito deve manter a ajuda mensal de R$ 600 do Bolsa Família e ampliar o valor para famílias com crianças de até 6 anos já nos primeiros meses de sua gestão.

Além disso, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Transição, aprovada pelo Congresso, abrirá espaço para que o governo de Lula financie programas como a Farmácia Popular e aumente o salário mínimo acima da inflação, conforme suas promessas de campanha.

Dessa forma, a nova administração espera aliviar a fome, que afeta 33,1 milhões dos 215 milhões de brasileiros, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Penssan).

(Com informações da RFI e da AFP)

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